Projeto da UFRPE com mulheres apicultoras do Sertão ganha visibilidade internacional em documentário de emissora alemã
Publicado em 23/04/2026 | Última atualização em 23/04/2026.
O projeto de extensão “Apicultura e Mulheres: Uma Doce Produção”, coordenado pela professora Renata Valéria Regis de Sousa Gomes, do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal Rural de Pernambuco (DZ/UFRPE), e realizado em parceria com a Estação Experimental de Agricultura Irrigada de Parnamirim (EAIP/UFRPE), vem ganhando projeção internacional ao ser tema de um documentário produzido pela emissora pública alemã ZDF.
A ação é voltada à formação e ao fortalecimento de mulheres apicultoras no Sertão pernambucano. Nesse contexto, a apicultura se consolida não apenas como atividade produtiva, mas como uma estratégia de transformação social, ambiental e econômica, construída a partir do território e com protagonismo feminino.
“Eu acredito que a ciência só faz sentido quando transforma realidades. E o que vemos aqui é exatamente isso: mulheres que, por meio da apicultura, passam a construir novas possibilidades para suas vidas e suas famílias”, afirma a professora Renata Valéria, coordenadora do projeto.
Quando uma mulher ingressa na atividade, não é apenas a renda que se transforma. Modifica-se a forma como ela se reconhece, ocupa seus espaços e projeta o futuro de sua família. Tradicionalmente associada ao universo masculino, a apicultura passa, nesse cenário, a se constituir como um espaço de autonomia e liderança para as mulheres.
A iniciativa, apoiada pela FACEPE, por meio do Edital Pernambucanas Inovadoras, reforça o papel estratégico do investimento público na promoção de ciência com impacto social, além de evidenciar a relevância da integração entre ensino, pesquisa e extensão para o desenvolvimento sustentável da apicultura em Pernambuco.
As gravações ocorreram na comunidade Fazenda Floresta, no município de Parnamirim (PE), destacando não apenas a qualidade técnica da produção apícola, mas também histórias de transformação marcadas pela autonomia, geração de renda e valorização da Caatinga.

Além de fomentar a conservação da vegetação nativa, o projeto também incorpora uma base técnico-científica robusta, com a realização de análises físico-químicas e sanitárias do mel, avaliação da sanidade das abelhas e o desenvolvimento de produtos inovadores. Entre eles, destaca-se a geleia de mel de abelha, obtida a partir do mel cristalizado, agregando valor à produção e fortalecendo a bioeconomia local.
A experiência superou as expectativas da equipe internacional, formada pela apresentadora Sarah, pelo cinegrafista Moritz, pela diretora Hannah e pelo produtor Tomaz, que ressaltou o potencial do projeto como referência global em desenvolvimento sustentável e empoderamento feminino.
Para as mulheres participantes, o momento foi marcado por emoção e reconhecimento, uma vez que muitas não imaginavam que suas trajetórias alcançariam visibilidade além das fronteiras do país.
A proposta integra ciência aplicada, extensão universitária e saberes locais, promovendo soluções adaptadas à realidade do semiárido. Nesse sentido, a atividade se consolida como uma estratégia de inclusão produtiva, conservação ambiental e fortalecimento das mulheres no meio rural.
Ao articular ensino, pesquisa e extensão, o projeto evidencia o compromisso da UFRPE com a transformação de realidades, consolidando-se como um modelo replicável de desenvolvimento sustentável, que conecta o Sertão pernambucano ao cenário internacional.
