UFRPE fortalece protagonismo internacional durante a III Cumbre Iberoamericana de Educación no Peru
Publicado em 18/05/2026 | Última atualização em 18/05/2026.
UFRPE articula acordo trilateral com instituições do Peru e da Argentina, criando uma nova rede latino-americana de cooperação
A participação da delegação da Universidade Federal Rural de Pernambuco na III Cumbre Iberoamericana de Educación, realizada na Universidad Señor de Sipán, consolidou um dos mais importantes movimentos recentes de internacionalização acadêmica protagonizados pela instituição no cenário latino-americano.
Representando a universidade brasileira, a Vice-reitora Socorro Lima e o Diretor de Internacionalização do NINTER/UFRPE, Rodrigo Carmo participaram de conferências, reuniões diplomáticas e articulações institucionais que ultrapassaram os limites da programação oficial do evento e abriram novas frentes de cooperação acadêmica entre Brasil, Peru e Argentina.
A Cumbre reuniu gestores universitários, pesquisadores e representantes institucionais de diferentes países ibero-americanos para discutir os desafios contemporâneos da educação superior, incluindo interdisciplinaridade, inteligência artificial, gestão universitária, inovação e integração regional.
Foi nesse contexto que a apresentação da vice-reitora da UFRPE ganhou destaque. Sob o tema “Gestão acadêmica e interdisciplinaridade: desafios e oportunidades na educação superior”, a professora Maria do Socorro apresentou experiências institucionais desenvolvidas pela universidade pernambucana voltadas à integração entre ensino, pesquisa, extensão e internacionalização.

Dividindo o palco com a vice-reitora, o professor Rodrigo Carmo apresentou experiências brasileiras relacionadas à etnobiologia, agroecologia, restauração biocultural e fortalecimento de comunidades tradicionais, evidenciando como a UFRPE vem se consolidando internacionalmente a partir de uma agenda acadêmica conectada aos desafios sociais, ambientais e climáticos contemporâneos, o que gerou grande interesse nos espectadores (professores, gestores e alunos).
Entre as iniciativas que mais despertaram interesse dos representantes internacionais esteve o Projeto Jandaíras, apresentado como um marco de inovação social, fortalecimento territorial e valorização da sociobiodiversidade nordestina.
Diferentemente de iniciativas centradas exclusivamente na conservação ambiental, o Projeto Jandaíras foi apresentado como uma ampla rede de fortalecimento produtivo, político, cultural e econômico de mulheres de Povos e Comunidades Tradicionais do Nordeste brasileiro e de Minas Gerais. O projeto articula agroecologia, justiça climática, inclusão produtiva, identidade territorial, saúde mental, juventudes e valorização dos saberes tradicionais, e que agora é um Programa de Governo.
Os números apresentados impressionaram os participantes internacionais. Atualmente, o projeto mobiliza centenas de mulheres indígenas, quilombolas, marisqueiras, pescadoras artesanais e agricultoras familiares, tendo investido mais de R$ 14 milhões em equipamentos, formação, comunicação e fortalecimento produtivo nos territórios atendidos.
Além do aporte financeiro, o Jandaíras atua diretamente na formação política e técnica das comunidades. Oficinas, seminários, rodas de diálogo e intercâmbios vêm sendo realizados em diferentes estados nordestinos, promovendo debates sobre agroecologia, inclusão sanitária, gestão de agroindústrias familiares, identidade visual, certificação da produção e autonomia econômica das mulheres.
Outro aspecto que chamou atenção durante a apresentação foi a dimensão humana e comunitária do projeto. O Jandaíras também desenvolve ações ligadas à saúde mental, formação de juventudes e fortalecimento de lideranças femininas nos territórios tradicionais.
A dimensão internacional e climática da iniciativa também foi ressaltada. Mulheres e pesquisadoras vinculadas ao projeto participaram da “Caatinga Climate Week”, em Recife, promovendo o diálogo entre comunidades tradicionais e agendas globais sobre mudanças climáticas. O projeto ainda integrou a programação oficial da COP-30, em Belém, através da oficina “Cozinha Show: Receitas Ancestrais – Saberes e Fazeres de Povos e Comunidades Tradicionais do Brasil”.
A potência política e social do Jandaíras ficou evidente também nos relatos apresentados durante a conferência. Mulheres quilombolas, indígenas e lideranças comunitárias relataram aumento de renda, fortalecimento da autoestima, ampliação da participação em feiras nacionais, acesso a equipamentos, formação em gestão e reconhecimento de seus saberes tradicionais.
Foi justamente essa combinação entre excelência acadêmica, compromisso social e impacto territorial que abriu portas para novos acordos internacionais.
Durante a III Cumbre, a delegação da UFRPE avançou significativamente no estreitamento das relações institucionais com o Peru. A parceria com a Universidad Señor de Sipán já começa a gerar resultados concretos: em 2026.2, dois estudantes de engenharia da UFRPE irão cursar parte da graduação na universidade peruana, fruto do acordo de cooperação firmado entre as instituições em 2025. Em contrapartida, a UFRPE receberá dois estudantes peruanos da USS no próximo ano.
A aproximação institucional também prevê o fortalecimento da cooperação nas engenharias. Ainda este ano, seis professores da UFRPE participarão de um importante evento acadêmico sediado pela universidade peruana, ampliando as possibilidades de colaboração científica e tecnológica entre os dois países.
Um dos avanços mais relevantes da missão internacional foi a consolidação de um acordo trilateral envolvendo Brasil, Peru e Argentina. Articulado diplomaticamente pelo NINTER/UFRPE e conduzido com o auxílio da vice-reitoria, o acordo integrará a UFRPE, a Universidad Señor de Sipán e a Universidad Nacional de Jujuy em uma nova rede latino-americana de cooperação acadêmica.

