Universidade Federal Rural de Pernambuco
Ministério da Educação

UFRPE protagoniza inovação no VIII Congresso Internacional de Engenharia e Arquitetura em Chiclayo - Peru

Publicado em 20/08/2026 | Última atualização em 20/08/2026.

CHICLAYO, PERU — No cenário global, a soberania de um país passa, obrigatoriamente, pela capacidade de gerar e compartilhar tecnologia. A Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) fincou a bandeira brasileira em solo peruano durante o VIII Congresso Internacional de Engenharia e Arquitetura, entre 17 e 20 de junho, na Universidad Señor de Sipán (USS). Com seis docentes enviados, a delegação da Rural colaborou para desenhar o mapa da cooperação acadêmica no continente.

O evento, que teve como lema a "Inovação Sustentável e Cooperação Internacional", recebeu a demonstração da força da ciência produzida no Nordeste brasileiro. Da inteligência artificial aplicada, agricultura de precisão até a produção de hidrogênio verde, a UFRPE mostrou que suas pesquisas estão na vanguarda das soluções para desafios do século XXI.

A abertura do congresso foi marcada por um momento de prestígio para a Rural: o professor Sabi Yari Moïse Bandiri, do curso de Engenharia de Computação da Unidade Acadêmica de Belo Jardim (UABJ), foi o palestrante magistral de abertura. Em sua conferência “O Futuro da Engenharia e da Arquitetura: Desafios Globais e Oportunidades na Cooperação Brasil–Peru", Bandiri provocou uma reflexão sobre a necessidade de uma "internacionalização do afeto", não só técnica.

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Prof. Sabi Bandiri (Engenharia da Computação/UABJ) ministrou a conferência de abertura

"A conferência destacou o papel das universidades como agentes fundamentais na produção de conhecimento e no fortalecimento da cooperação internacional", afirmou o professor Sabi. Sua agenda foi além do púlpito: em reuniões com o Reitor da USS, Prof. Alejandro Cruzata Martínez, Sabi transmitiu as saudações da Magnífica Reitora da UFRPE, Profa. Dra. Maria José de Sena, selando o interesse mútuo em consolidar um corredor científico entre Pernambuco e Chiclayo, na região de Lambayeque, a cerca de 770 quilômetros da capital nacional, Lima. 

Um dos pontos altos foi a visita ao Laboratório de Inovação Tecnológica da USS, onde a Rural vislumbrou parcerias em robótica e processamento de linguagem natural, com foco na preservação de idiomas nativos, como o peruano quéchua.

A representatividade da Unidade Acadêmica de Cabo de Santo Agostinho (UACSA) foi um dos pilares técnicos da missão. O professor Thiago Simões, de Engenharia Mecânica, coordenador do Laboratório de Corrosão (LabCorr), liderou debates sobre a transição energética, um tema vital para a economia global. Em sua palestra sobre Hidrogênio Verde e a oficina de Solution Blow Spinning, Simões demonstrou rotas inovadoras para a produção de eletrocatalisadores com zero pegada de carbono. "Discutimos o potencial da América Latina para liderar a transição energética mundial. A programação permitiu prospecções reais de projetos em cooperação e o trânsito futuro de nossos discentes", destacou Simões.

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Prof. Thiago Simões (Engenharia Mecânica/UACSA)

No campo da infraestrutura, o professor Martonio Francelino, de Engenharia Civil, também da UACSA, projetou a expertise da Rural para mais de cinquenta estudantes e profissionais estrangeiros. Sua abordagem sobre a expansão do pavimento de concreto nas rodovias brasileiras uniu tecnologia construtiva e sustentabilidade, colocando a UFRPE como referência no debate sobre o futuro da malha rodoviária.

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Prof. Martonio Francelino (Engenharia Civil/UACSA)

A integração entre as unidades da Rural mostrou-se um diferencial. Da Unidade Acadêmica de Belo Jardim (UABJ), no Agreste pernambucano, o professor de Engenharia Química João Pedro Ferreira destacou a honra de levar a modelagem e otimização de processos para a Engenharia da Indústria Agroalimentar no Peru. "Representar a UFRPE/UABJ fortalece nossa cooperação científica. Essa integração institucional é fundamental para o reconhecimento internacional de nossos pesquisadores", afirmou João Pedro.

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Prof. João Pedro Ferreira (Engenharia Química/UABJ)

Ao seu lado, a professora Silvanete Silva, do curso de Engenharia Hídrica, trouxe a "circularidade" para o centro do debate. Sua palestra sobre a otimização de processos produtivos com enfoque circular demonstrou como reduzir desperdícios e promover o uso eficiente de recursos pode tornar a indústria latina mais competitiva e ética.

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Profa. Silvanete Silva (Engenharia Hídrica/UABJ)

Na frente digital, o professor André Câmara, do Departamento de Computação do Campus Sede, no Recife, desmistificou o uso da Inteligência Artificial. Além de falar sobre tendências, ele conduziu oficinas práticas sobre IA Generativa aplicada à prototipagem de aplicações web e mobile, atraindo o interesse de desenvolvedores e engenheiros locais.

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Prof. André Câmara (Engenharia da Computação/Sede)

A Organização Massapê, representada por Bela Neves, trouxe uma camada humana e necessária à arquitetura e engenharia tradicional. Ao pautar "A voz das crianças na construção de cidades resilientes", a pesquisadora defendeu a inclusão do olhar infantil no planejamento urbano para responder às emergências climáticas. A oficina sobre adaptação climática participativa foi um dos grandes engajamentos sociais do evento, reforçando que a tecnologia deve servir, prioritariamente, às pessoas.

O resultado mais tangível da missão foi o anúncio da criação da Rede Latino-Americana de Pesquisa e Inovação. Articulada com o apoio do Instituto IPÊ, por meio do Núcleo de Internacionalização (NINTER), a rede une agora instituições de quatro países: Brasil (UFRPE), Peru (USS), México (Guanajuato) e Colômbia (UPTC). Esta aliança focará em pesquisas colaborativas em áreas como Agricultura de Precisão, Saúde e Saneamento. 

Um exemplo prático já em andamento é o projeto binacional Brasil-Peru, submetido ao Edital Pepe Mujica/CNPq, que utiliza IA para otimizar a produção de manga. A cooperação permitirá que pesquisadores da Rural testem seus modelos em diferentes solos e climas, acelerando a validação de tecnologias voltadas ao agronegócio.

A participação da UFRPE no Peru encerra-se com certificações e convênios em fase final de assinatura e uma visibilidade internacional sem precedentes. O professor Edivan Rodrigues, Diretor-Geral do Instituto IPÊ, reforçou que a missão é parte de uma “política de Estado” da universidade.

Conectando o solo pernambucano a grandes centros acadêmicos da América Latina e do mundo, a UFRPE demonstra como a internacionalização não é um departamento, mas um comportamento institucional. No Peru, a ciência da Rural falou português, espanhol, quéchua e a linguagem universal da inovação.

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