Universidade Federal Rural de Pernambuco
Ministério da Educação

Papel da educação na violência contra a mulher é tema de debate na UFRPE

Publicado em 31/03/2026 | Última atualização em 31/03/2026.

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A Universidade Federal Rural de Pernambuco recebeu, na última segunda-feira (30/03), a roda de diálogos "O papel da educação na prevenção da violência contra a mulher". Maria José de Sena, reitora da UFRPE, foi a mediadora do evento que lotou o Salão Nobre de estudantes, docentes, técnicos e membros da comunidade.

A conversa contou com a participação de Julieta Grande, Cônsul da Argentina, Adriana Vasconcelos, superintendente da Polícia Federal, Débora Cerqueira, superintendente de formação em gênero da Secretaria da Mulher e Regina Barbosa, vice-presidente do Instituto Maria da Penha.

Maria José de Sena abriu o evento e tocou em um problema sensível no que concerne a violência contra a mulher: a impunidade. “Muitos homens têm a certeza da impunidade e isso os incentiva ainda mais a cometer estes atos. Sabem que muitas mulheres silenciam, que o caminho até uma punição é longo e, muitas vezes, sem efetividade.”

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Julieta Grande trouxe para o debate a importância de não se deixar aceitar comportamentos violentos, principalmente os mais triviais. “O papel da educação é não deixar normalizar as violências contra a mulher. Não deixarmos as pequenas violências do cotidiano acontecerem, como silenciar uma mulher, rebaixar uma mulher”, destacou.

A superintendente da Polícia Federal levantou a perspectiva da violência armada e como o Estado tem trabalhado para restringir o acesso a armas a quem comete atos de agressão. “Tivemos uma crescente de casos de uso de armas de fogo em crimes contra a mulher e após um período de mais acesso, hoje, a política de armas tem se tornado mais restritiva, principalmente para quem comete este tipo de violência. Mas é importante destacar que é uma ação conjunta de polícia, justiça, ministério público. Todos tem que entender que quem atenta contra a vida de outro não pode ter a capacidade de possuir arma de fogo com autorização do Estado”, salientou Adriana Vasconcelos.

Regina Célia trabalhou com a perspectiva de que a violência não começa na agressão. “O que se vê nas notícias ou o que tomamos conhecimento enquanto público é de um passo à frente nestes casos de violência. A agressão, o homicídio, não são o início do processo, mas sua consequência. Sempre começa com algo pequeno, que vai minando o poder reativo da mulher, a deixando incapacitada de reagir”.

Já Regina Barbosa debateu sobre os avanços na legislação de proteção à mulher, apesar destes avanços não acontecerem rápido. “Quando Maria da Penha levou o tiro, lá em 1983, o agressor só foi punido 19 anos depois, quando o processo já corria o risco de ser extinto. Em 2006, tivemos a publicação da Lei e agora em 2026, 20 anos depois, estamos debatendo a Lei de Misoginia. Isto tudo é muito importante e significativo, mas trata-se de um problema de muitas frentes e precisamos refletir sobre como enfrentar isso. Qual violência atacar, quais as saídas possíveis, qual o mais urgente a se resolver? Com isto em mente, precisamos de uma atuação articulada, com conexão, compromisso e com o entendimento do que se quer neste embate contra a violência contra a mulher”, frisou.

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Durante o debate, foi analisada também a dificuldade de enfrentamento de um problema geracional. Durante décadas, a violência contra a mulher foi normalizada e o Brasil, apenas em 2021 baniu a tese de “defesa da honra” para crimes de feminicídio. Trata-se de um trabalho de longo prazo, mas a repressão primária das pequenas violências, e, em um futuro ideal, que sequer se pense na possibilidade de existirem agressores de mulheres, sendo a educação peça chave para isto acontecer.

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