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Ministério da Educação

Expedição Diálogos na Caatinga percorre mais de 6 mil km para aproximar ciência e saberes locais

Publicado em 28/08/2026 | Última atualização em 28/08/2026.

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Uma das primeiras iniciativas universitárias com essa abrangência territorial atravessou cinco estados, visitou sete Unidades de Conservação e dialogou com cerca de 700 pessoas em mais de 20 comunidades e povoados

Uma equipe majoritariamente feminina, formada por pesquisadoras(es) e estudantes da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) percorreu mais de 6.000 quilômetros pelo Nordeste para dialogar com as pessoas que vivem na Caatinga sobre a biodiversidade do bioma.

Seis das sete pessoas que integraram a equipe são mulheres, que estiveram à frente de praticamente todo o percurso. A presença feminina marcou tanto a coordenação e arealização das atividades científicas e educativas quanto o diálogo com as comunidades visitadas.

Realizada entre 13 de julho e 6 de agosto de 2026, a Expedição “Diálogos na Caatinga” atravessou cinco estados — Piauí, Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte e Pernambuco — e visitou sete Unidades de Conservação. Ao longo do percurso, a equipe esteve em mais de 20 comunidades e povoados, envolvendo aproximadamente 700 pessoas em atividades de comunicação pública da ciência e escuta dos conhecimentos locais.

A expedição passou pelos parques nacionais da Serra da Capivara, Boqueirão da Onça, Furna Feia e Catimbau; pelas estações ecológicas do Raso da Catarina e de Aiuaba; e pela Floresta Nacional de Negreiros.

Saindo do Recife, a rota rodoviária passou por cidades como Petrolina, São Raimundo Nonato, Sento Sé, Paulo Afonso, Aiuaba, Nova Olinda, Juazeiro do Norte, Buíque, Sertânia,

Caicó, Mossoró e João Pessoa, entre outros municípios do interior nordestino, antes do retorno à capital pernambucana.

Por reunir, em uma única rota, sete Unidades de Conservação de cinco estados e articular divulgação científica, escuta etnobiológica e saberes locais, a Expedição “Diálogos na Caatinga” está entre as primeiras iniciativas universitárias de comunicação pública da ciência com essa abrangência territorial na Caatinga.

A iniciativa foi desenvolvida pelo Projeto Associado 6 – Comunicação Pública da Ciência sobre a Biodiversidade da Caatinga, do PPBio Rede Semiárido RABECA, em parceria com o projeto de extensão “A biodiversidade da Caatinga sob os olhares de sua gente”, da UFPE, e contou com a colaboração do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade

(ICMBio).

Mais do que levar informações científicas, a proposta foi ouvir como as populações reconhecem, nomeiam, utilizam e se relacionam com os seres vivos da Caatinga. A expedição envolveu comunidades rurais e quilombolas, associações de mulheres, ceramistas, cooperativas, brigadistas e participantes de feiras locais. As atividades forampreviamente articuladas com lideranças e adaptadas aos espaços, ritmos e contextos socioculturais de cada território.

“A expedição busca promover uma troca entre o conhecimento científico produzido pelas pesquisadoras e pelos pesquisadores e os saberes das pessoas que vivem na Caatinga e convivem com esse ambiente desde o nascimento. A integração desses conhecimentos é essencial para fortalecer ações de conservação da Caatinga, tanto do ponto de vista científico quanto cultural e social”, explica a professora Carla Ribas, da Ecoversa - Grupo de estudos em diversidade, etnoecologia e comunicação do Departamento de Zoologia da UFPE e coordenadora do projeto. Um dos des destaques da UFRPE é a doutoranda Luiza Eulália de Azevedo Gonzaga do PPG Etnobiologia e Conservação da Natureza, orientada pela professora Carla Ribas.

CIÊNCIA PARA BRINCAR, CONVERSAR E COMPARTILHAR

Jogos da memória e de associação, quebra-cabeças, livro de colorir, tabuleiro de chão, fotografias, adesivos, broches e ímãs de geladeira foram alguns dos recursos empregados para apresentar a biodiversidade e as pesquisas desenvolvidas pelo PPBio Rede Semiárido

RABECA.

Crianças, jovens, pessoas adultas e idosas puderam conhecer organismos estudados pela Rede e compreender como o conhecimento científico é produzido em campo. Fotografias de espécies e de pesquisadoras(es) trabalhando na Caatinga ajudaram a aproximar o público dos organismos, métodos e diferentes etapas das pesquisas.

Depois das atividades educativas, participantes foram convidadas(os) a compartilhar seus próprios conhecimentos sobre a biodiversidade. Os diálogos e as entrevistas etnobiológicas revelaram, entre outros aspectos, variações regionais nos nomes e nas formas de reconhecer e classificar espécies, além de experiências relacionadas aos seus usos, significados e presença na vida cotidiana.

Para Carla Ribas e equipe, a escuta é uma dimensão central da comunicação pública da ciência. “A proposta é construir um diálogo entre academia e sociedade, permitindo que os produtos de comunicação sejam elaborados de forma participativa, ouvindo e envolvendo

todas as partes.”

A receptividade encontrada nos territórios e o interesse pela continuidade das ações reforçaram a importância de uma comunicação baseada no diálogo, na afetividade e no reconhecimento dos conhecimentos locais. A experiência também aproximou comunidades, universidade, pesquisa científica, ICMBio e equipes responsáveis pela gestão das áreas protegidas.

EXPEDIÇÃO TERÁ SEGUNDA ETAPA

A viagem representa a primeira etapa de um processo participativo. A partir das informações científicas e dos conhecimentos compartilhados pelas comunidades, serão desenvolvidos novos materiais e atividades de comunicação sobre temas e espécies considerados relevantes pelas pessoas que vivem nos territórios.

Posteriormente, a equipe pretende retornar às comunidades para compartilhar e dialogar sobre os produtos elaborados. Dessa maneira, os conhecimentos locais não aparecem apenas como tema das ações, mas participam da definição do que será comunicado e de como essa comunicação será realizada.

A repercussão digital também demonstra o interesse despertado pela iniciativa. Em um mês, os conteúdos relacionados à expedição alcançaram cerca de 70 mil visualizações no Instagram do PPBio Rede Semiárido RABECA e atraíram 122 novas(os) seguidoras(es).

A equipe da Expedição “Diálogos na Caatinga” foi composta por Carla Ribas, Francisca Oliveira, Luiza Eulália de Azevedo Gonzaga, Giselle Gomes da Rocha, Maria Clara Coelho de Oliveira Renkert, Lis Santos de Vasconcelos e Mikael Alves de Castro.

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