Pesquisa da UFRPE utiliza inteligência de dados para compreender a mobilidade humana e antecipar desafios em saúde pública
Publicado em 20/08/2026 | Última atualização em 20/08/2026.
Como as pessoas se deslocam entre cidades? De que forma esses movimentos podem influenciar a disseminação de doenças? E como a tecnologia pode ajudar gestores públicos a tomar decisões mais rápidas e eficientes diante de emergências sanitárias?
Essas são algumas das questões investigadas pela pesquisadora Andrêza Leite de Alencar, docente do Departamento de Computação da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), que desenvolve pesquisas na interface entre ciência de dados, bancos de dados e saúde pública.
Em seus estudos, a pesquisadora utiliza técnicas avançadas de análise de dados e modelagem computacional para compreender como os deslocamentos populacionais e outros dados influenciam fenômenos epidemiológicos. A partir de informações públicas sobre transporte, socioeconomia, ambiente e clima, os trabalhos buscam identificar padrões capazes de apoiar políticas públicas mais eficientes e estratégias de vigilância em saúde.
Um dos destaques é o desenvolvimento do Epiflow, uma ferramenta baseada em bancos de dados orientados a grafos e algoritmos de análise de redes capaz de identificar possíveis rotas de propagação de doenças infecciosas no território brasileiro. O sistema utiliza dados de deslocamento entre cidades para estimar caminhos prováveis de disseminação de patógenos e apoiar ações de monitoramento e prevenção. A metodologia foi validada com dados da pandemia de Covid-19, demonstrando potencial para auxiliar gestores na identificação precoce de áreas sob risco epidemiológico.
As pesquisas também dialogam com uma área crescente do conhecimento conhecida como Ciência de Redes, que utiliza a Teoria dos Grafos para representar e analisar conexões entre pessoas, cidades, ambiente, serviços e sistemas complexos. Nessa abordagem, municípios podem ser representados como pontos interligados por fluxos de deslocamento, permitindo compreender como informações, serviços ou doenças circulam em uma rede.
Além do campo da epidemiologia, os estudos coordenados por Andrêza Alencar contribuem para discussões relacionadas ao planejamento urbano, à mobilidade populacional e à organização dos serviços públicos. A análise dos fluxos de deslocamento permite compreender melhor a dinâmica territorial brasileira, auxiliando na identificação de regiões estratégicas para monitoramento, atendimento à população e distribuição de recursos.
O trabalho desenvolvido na UFRPE demonstra como a integração entre Computação, Ciência de Dados e Saúde Pública pode gerar conhecimento com impacto direto na sociedade. Ao transformar grandes volumes de dados em informações úteis para a tomada de decisão, a pesquisa contribui para fortalecer a capacidade do país de responder a desafios complexos, especialmente aqueles relacionados à vigilância epidemiológica e à promoção da saúde coletiva.
A atuação da pesquisadora reforça ainda o papel da UFRPE como instituição comprometida com a produção de conhecimento inovador, interdisciplinar e voltado para a solução de problemas reais da sociedade, aproximando a pesquisa científica das demandas contemporâneas por tecnologia, inteligência de dados e políticas públicas baseadas em evidências.
