Quilombo Riacho de Pedra conquista reconhecimento com acompanhamento de extensão universitária da UFRPE
Publicado em 12/08/2026 | Última atualização em 12/08/2026.
O Quilombo Riacho de Pedra, localizado no município de Passira (PE), recebeu, no dia 30 de maio, a certidão de autodefinição concedida pela Fundação Cultural Palmares. O reconhecimento representa um marco para a comunidade, que passa a ser oficialmente reconhecida como quilombola, ampliando o acesso a políticas públicas e fortalecendo a luta por direitos historicamente negados.
O processo de certificação contou com o acompanhamento de ações de extensão desenvolvidas pelo Bacharelado em Agroecologia da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), por meio da Coordenação Regional do Pro-SEMEIA Pernambuco.
Ao longo do tempo, estudantes, docentes, residentes do projeto e moradores construíram, de forma participativa, atividades voltadas ao levantamento da memória do território, ao fortalecimento da identidade quilombola e à reflexão sobre os direitos que podem ser acessados a partir desse reconhecimento.
"A gente começou a contribuir mais diretamente com a interação dos nossos bolsistas, para que eles pudessem fazer uma imersão no território e contribuir para a coleta desses relatos históricos. E em uma das nossas atividades de imersão do Bacharelado em Agroecologia, com o oitavo período, a gente fez uma árvore genealógica colocando na raiz as pessoas que eram mais importantes, mais antigas, com uma metodologia participativa de identificação dessas pessoas que estão a mais tempo no quilombo", destaca Ana Cláudia Lima, coordenadora do Bacharelado em Agroecologia e da coordenação regional do projeto.
Mais do que apoiar um processo administrativo, a atuação buscou fortalecer o diálogo entre universidade e comunidade, valorizando os saberes locais e contribuindo para que a própria comunidade conduzisse o processo de reconhecimento.
Para Kallyne Silva, uma das lideranças comunitárias e Agente Local de Formação do território pelo Pro-SEMEIA, a certificação representa a conquista da principal demanda da comunidade.
"A partir da certificação, que era o que a gente batalhava desde o início do projeto, a gente vai poder acessar várias políticas públicas. Algumas pessoas da comunidade já acessavam algumas, mas não como quilombola, e sim como agricultor. Ter essa certificação é uma vitória muito grande, porque a gente vai acessar essas políticas sendo quilombola e tendo os direitos que a gente nunca teve. Como a nossa comunidade sempre foi invisibilizada, agora vai ser um abre-portas para muitas oportunidades de fortalecer a comunidade."
Além do reconhecimento formal, a expectativa é que a certificação contribua para ampliar as condições de bem-viver no território, respeitando sua história, cultura e trajetória.
"Agora é a gente seguir em frente com mais coragem, com mais perseverança, acessar as políticas públicas e melhorar o bem-viver da nossa comunidade. Isso é muito importante, junto com a nossa cultura e a nossa trajetória", ressalta Kallyne.
Para Ana Cláudia, a experiência reafirma a importância da extensão universitária, construída em parceria com os territórios. "A gente foi percebendo a importância desse diálogo da academia com o quilombo, não só para o reconhecimento, mas também para formação dos nossos estudantes, para reconhecimento das comunidades quilombolas, para entender a questão das identidades também, que são diversas e que infelizmente não têm esse reconhecimento. Então, a gente percebe que esse resultado é muito importante para todas as pessoas que foram envolvidas”.

